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Domingo , 25 de Março de 2007
Terapia...
Eu tinha 15 anos, quando me convenceram. Sim, me convenceram a fazer 1 ano de terapia. Bastou! Um ano foi demais. Eu não via mesmo a hora de parar com aquela coisa de quem não tem o que fazer: entrar no consultório, ficar me fazendo falar coisas da minha vida, tentando fazer com que eu exponha todos os meus sentimentos pra uma pessoa estranha. Argh! Eu não gostava nem um pouco. Não gostava de conversar e sempre que a psicóloga tentava tirar algo de mim, eu só falava o necessário, foi aí então que ela começou a me fazer escrever, desenhar, jogar joguinho, mexer com argila. Ah, mas aí é que eu achava que estava perdendo meu tempo mesmo. Eu, com 15 anos nas costas modelando argila? Era o fim!
Um dia ela resolveu me dar alta. Disse que eu já estava bem (eu sempre me senti bem, quem é que disse que eu estava mal?), mas que qualquer coisa que eu precisasse eu podia entrar em contato com ela. Na verdade até hoje eu acho que ela me deu alta porque já não sabia mais o que fazer comigo (eu não falava de jeito nenhum). Enfim... (algumas coisas foram resolvidas, digamos que ela me ajudou pelo menos a arranjar um namorado – risos)
Alguns anos se passaram, eu me formei no Ensino Médio, tive crise de identidade, síndrome do Peter Pan, crises de depressão, e sei lá mais o que. Só sei que nada estava bom pra mim, eu dizia que a vida já não tinha mais graça, que eu já tinha vivido tudo que tinha pra viver, e outras coisas mais. Eu demorei pra enxergar isso, mas logo percebi que estava realmente precisando de ajuda. Foi quando me veio a cabeça a Gisele. Aquela que tentou me tratar quando eu tinha 15 anos. Agora eu estava com 18 (uma fase terrível da vida – pelo menos pra mim). Nada mais tinha graça e eu precisava de ânimo pra ver que a vida ainda tinha alento.
Resolvi ir atrás de uma psicóloga, de UMA (literalmente), não queria outra, senão fosse a tal Gisele. Não foi fácil mas eu achei! Marquei um horário, resolvi sentar naquela poltrona e dessa vez falar porque eu estava ali. Agora eu tinha motivos para estar ali, sentia que precisava ser ajudada, e tinha desejo de tal.
Não foi fácil me abrir, não consegui me expor logo de cara, o processo foi longo, terapêutico mesmo.
Já fazem 2 anos que eu voltei, e não quis mais largar, fiquei dependente (o que não pode) e não via minha vida sem pelo menos 1x por semana conversando com a Gisele. Eu ainda tenho muito que melhorar, muito que mudar, mas o que importa é que eu já me sinto muito bem, muito mudada, muito vitoriosa!
Passei por situações muito difíceis. A terapia também judia, mexe muito com o meu emocional. Tinha dias que eu saia feliz, tinha dias que eu saia triste, e tinha dias que eu saia chorando (a Gisele ainda nunca me viu chorando, mas talvez ela saiba - ou não - que já me fez chorar muito). Eu passei a me conhecer, a me descobrir, a descobrir o meu corpo (que fala tanto por mim).
Ir a psicóloga já não era perda de tempo (algumas vezes era). Quando percebi que a terapia tava mexendo comigo, que eu estava me descobrindo, eu fui ficando pior, meu corpo falava por mim, eu ficava confusa e aí então uma sessão de terapia na semana, não estava dando conta de tudo e eu passei a ir mais vezes (foi por pouco tempo), mas me ajudou muito.
Hoje eu ainda freqüento as sessões, gosto muito e não quero parar, mas já não preciso tanto dela quanto antes. Passei a ir de 15 em 15 dias e estou muito bem.
Tenho muitos problemas, mas quem não os tem?
Recaídas? Tenho e ainda terei muitas, mas se Deus quiser eu vou saber levantar e não vou hesitar em pedir ajuda se eu achar que não consigo sozinha.
Hoje eu entendo o quanto eu precisava mesmo de uma psicóloga e eu acredito que o ser humano precisa sim de ajuda, de terapia. Precisa falar, expor, mas acima de tudo QUERER, por si próprio!
Se isso acontecesse às pessoas seriam mais felizes, se sentiriam mais “normais”, pois as nossas duvidas, nossos sentimentos, nossos pensamentos não são só nossos (apesar da gente achar que é) e hoje eu consigo enxergar isso (não que eu fale como deveria). Mas estou convicta de que FALAR é necessário!
“Viver é uma caminhada e tanto, não tem essa colher de chá selecionar onde descer. É preciso passar por tudo pelo desânimo, pela desesperança, pela sensação de fracasso e fraqueza.” (Martha Medeiros).