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Domingo , 30 de Julho de 2006

“Se apaixonar é inevitável...” (Mário Quintana)
Realmente, todo mundo se apaixona uma vez na vida.
Eu já me apaixonei.
Tive uma única paixão, até agora.
É claro que gostei de alguns garotos, mas nenhum que me fizesse sentir a mesma sensação de estar apaixonada.
Uma mulher apaixonada fica boba, viaja, se ilude.
Eu fui assim; fui boba. Mas não me arrependi de nada que senti e nem por quem me apaixonei.
Não fui correspondida, e isso me fazia sofrer. Esse foi o lado ruim de gostar dele.
Hoje lembro dos momentos que vivi, das vergonhas que passei, das loucuras que aprontei, e dou risada, mas gosto de relembrar tudo.
Foi bom, mas confesso: tenho medo de me apaixonar outra vez.
Tenho medo de não ser correspondida mais uma vez.
Eu sei o que é gostar muito de alguém e esse alguém não corresponder aos seus sentimentos.
Eu tive duas experiências: estar apaixonada sem ser correspondida e ser a paixão de alguém sem correspondê-la.
Na mesma época em que vivi essa grande paixão, alguém também foi apaixonado por mim. E esse alguém foi feliz: conquistou-me e me namorou por 2 anos.
Eu não sei, mas acho que nunca gostei dele como deveria. Apenas me acostumei com sua presença, com sua atenção e carinho: tudo aquilo que eu esperava de alguém que nunca me daria.
O namorado só ocupou o vazio, a carência, em querer alguém, que não me queria.
Isso nunca foi segredo pra ele, ele sabia e dizia estar disposto a me fazer esquecer aquele por quem eu era apaixonada: conseguiu!
Hoje estou sozinha, com o coração vazio, pronta para amar novamente, porém com medo de me entregar.
Talvez porque não tenha achado a pessoa que possa tomar conta dele, mas o motivo maior mesmo é o medo de sofrer novamente.

"É dificil perder-se. É tão dificil que arrumarei depressa um modo de me achar..." (Clarice Lispector)
Hoje queria escrever sobre minha pessoa, falar de mim...sei lá!
Tudo que escrevo aqui é parte de mim: meus pensamentos, meus sentimentos...
Mas quem sou eu?
Uma menina-mulher, cheia de sentimentos, de pensamentos, de dúvidas, de vontades, de sonhos...
Isso acha que fica claro em meus textos.
Quem é a Nathalia?
Essa é a pergunta que minha psicóloga também gosta de fazer. Gosta de me colocar pra pensar, refletir.
Quando comecei a fazer terapia eu chegava ao consultório e ficava muda. Acho que esperava que ela fosse ler meus pensamentos, meus semblantes, sei lá! Aí achava ruim, de ter que escrever, desenhar, mexer com argila...que coisa mais infantil! Mas ela precisava de uma forma ou de outra descobrir o que se passava em minha cabeça, porque apesar de eu esperar que ela fosse ler meus pensamentos, ela ainda não tinha esse poder (ainda bem).
Hoje muita coisa mudou, ainda não falo como deveria, mas estou começando a tomar certas inciativas.
A terapia tem me ajudado muito, tem me ajudado a ver quem sou eu, a me descobrir, a me conhecer, a me achar realmente!
Eu gostaria muito de escrever sobre minha pessoa, mas acho que ainda estou me descobrindo.
Me descobrindo a cada dia e mudando constantemente.
"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas, continuarei a escrever..." (Clarice Lispector)