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Terça-feira , 06 de Junho de 2006

"Você foi ao matinê com a sua amiga Jaque. Depois vocês duas aproveitaram o resto de tarde livre e deram uma volta pelas ruas residenciais do bairro, passando por livrarias e lojas de bijuterias. E, no finalzinho do dia, pararam num café e tomaram uma taça de champanhe cada uma, para comemorar a tarde memorável que tiveram: sábado, um filme ótimo, um papo melhor ainda. Merece um brinde. Não foi tudo perfeito?
Poderia ter sido, se você não tivesse feito a besteira de fazer o relato desta tarde memorável para sua outra grande amiga, a Vera, que teve um surto de ciúme feito um marido traído.
Ciúme entre amigas??? Pois é. Bem-vinda ao planeta Terra.
Se você disser que nunca sentiu, vou fingir que acredito. Eu já senti. Sabedora que minha melhor amiga passou a tarde com uma outra grande amiga, fiquei infantilmente infeliz: será que ela confidencia para a outra as coisas que confidencia para mim? Será que a outra tem mais afinidades com ela? Será que elas se divertem juntas tanto quanto nós? Admito. E olha que eu sou hetero.
É uma reação que a gente mal consegue reconhecer como ciúme. É, na verdade, um incômodo, uma sensação levemente desagradável, uma coisa que não se justifica, já que somos tão bem resolvidas. O problema é que as bem resolvidas também são humanas.
Ciúme é um sentimento de posse e um atentado contra nossa vaidade. Queremos ser a mais companheira, a amiga mais divertida, aquela com quem se pode contar dia e noite. Danuza Leão escreveu certa vez que bom mesmo é termos uma melhor amiga para falar de futilidades, outra melhor amiga para falar sobre dor-de-cotovelo, ainda uma outra para ir a eventos culturais... Uma só não segura todas as nossas personas. E está certa.
É ridículo sentir ciúme de amiga, porém inevitável. Você e ela de vez em quando deixam escapar um venenozinho sobre a vida alheia. Será que sua melhor amiga também não fala um tiquinho mal de você, mesmo lhe adorando? O ciúme nada mais é do que uma dúvida cruel."
(Martha Medeiros)
*Concordo com todas as palavras de Martha Medeiros, porém discordo com as de Danuza Leão; sem minhas justificativas.
Domingo , 04 de Junho de 2006

“Viajo sozinha com meu coração. Não ando perdida, mas desencontrada...” (Cecília Meireles).
...Eu adoro ficar no meu canto, sozinha, pensando...
Penso... penso demais! Ás vezes fico louca, com a profundidade dos meus pensamentos. Como posso ir tão além?! Ás vezes machuca. Ás vezes digo ficar triste sem motivo.
O motivo é de eu pensar demais, pensar além, idealizar, sonhar com aquilo que talvez não vá acontecer (mas e se acontecer?), aquilo que não é real (mas e se for?)
Eu viajo... não que isso seja ruim, mas como já disse antes: em certos momentos me fazem sofrer.
Eu sonho acordada...vou além daquilo que pode ser verdade, mas sonhar não paga, e eu não sonho tão alto, sonho o que ainda pode acontecer e como é bom sonhar...
Passo horas, deitada, sonhando, imaginando, lembrando...
Sim, as melhores lembranças ficam pra sempre no meu coração. Como já dizia Carlos Drummond: "Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundos, mas com tanta intensidade, que se petrifica e nenhuma força jamais o resgata".
Muitas vezes no meu dia-a-dia, um minuto fez-se a diferença em minha vida e o motivo de eu ver as horas correrem no relógio e não sentir que o tempo passou. Viro de um lado para o outro na cama lembrando e sentindo a felicidade daquele um minuto do meu dia.
E pra me deixar feliz não precisa de muito...amo as coisas simples da vida!
...Penso..penso demais...e isso também me leva a escrever!
“Há quem diga que todas as noites são de sonhos...
Mas há também quem diga que nem todas...
Mas no fundo isso não tem muita importância...
O que interessa mesmo não são as noites em si...
São os sonhos...
Sonhos que o homem sonha sempre...
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano...
Dormindo ou acordado...” (Shakespeare)